terça-feira, 22 de abril de 2014

Um isqueiro em chamas nas minhas mãos, não tinha cigarro, apenas o fogo queimando meus dedos. Esse calor artificial me arde menos que você em mim. Queimo também minha barriga, minha cintura, minhas coxas. Queimo meus cabelos e pelos buscando o calor e a ardência perdida.
Me machuco, em graus diferentes tenho à flor da pele um calor que não é o seu.
O isqueiro me queima, a falta do seu calor me machuca.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Procurando um fim.

Vivemos na melhor cidade da América do Sul!
Foi o que pensei deitada na varanda da vó. Dois cabeludos em crise, mas pode-se dizer que eu era a menos cabeluda daquela tarde que tinha sol, mas fazia muito frio.
Amores enrolados num só cacho, castanho claro e castanho escuro, era isso que nos diferenciava além da altura. Ser menino ou menina nem entrava em questão.
Eu tinha certeza, eu e meu irmão morávamos na melhor cidade, apesar de às vezes tediosa.

Agora por vezes enrolada em outros quase cachos eu penso e canto a melhor cidade da América do Sul, com o mesmo Sol, talvez mais forte, mas bem menos fria.

domingo, 19 de janeiro de 2014


Estávamos meu amigo e eu. Eu, meu amigo e mais uma dúzia de garrafas vazias e meia dúzia quebradas. Eu, meu amigo, um cinzeiro tossindo, coriza, doses, e garrafas.
Eu pergunto: “Qual é essa do amor?”. Ele, um cara guardado por trás de uma barba de dar inveja até aos mais dos grisalhos e experientes, me respondeu: “É um fanfarrão! Vou começar a entendê-lo como uma pessoa. Pessoa hermafrodita. É um homem e uma mulher!”
Assim como eu, ele também tem feito das coisas suas companheiras. Ou não, ele sempre foi mais inteligente, intelectual. Eu falo de coisas, ele fala de literatura, sua nova amada amante. Eu fico com meus devaneios alcoólatras.
Eu, um cara problemático e abandonado. Ela foi embora e na mochila juntou tudo de forma amassada. Aquela mulher metódica, organizada, passada, cheirosa, arrumada... Aquela mulher que não joga bituca no chão, que tem os bolsos cheios de papel de bala. Essa mesma mulher juntou tudo que estava pelo chão e pelas gavetas, e numa mochila abarrotada saiu pelo portão de casa jurando não mais voltar, praguejando meu amor, e mais, dizendo que eu não sabia amar, e por isso tinha dó de mim. ELA TEM DÓ DE MIM.
Esse amor, hermafrodita ou não, me golpeou pelas costas mais uma vez, me derrubou mais uma vez na cara do gol, quando eu achava que a partida era minha, era nossa!
Ela foi, e eu deixei. Não liguei, não chamei, não amaldiçoei.

Ela foi porque ela quis. Se voltar, é porque ela quer. Eu amo, por mais que duvide, eu amo. E meu amor é assim como eu, livre! 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Que tal o impossível?

Imagina não dever. Não dever satisfações, desculpas, dever na biblioteca, imagina não dever no bar.
Imagina não dever explicações, não se preocupar com a hora de acordar.
Acordar meio dia achando ser sete da manhã, dormir as três da tarde como se fosse horário de dormir. E quem disse que não é?
Dormir no chão como se fosse sua cama. Tomar banho as quatro da manhã como se fosse sete da noite. Quem disse que é pra ser as sete da noite?
Imagina o horário de pico as duas da madruga. Qual é o seu pico?
Imagina acordar sem roupa como se roupa não fosse necessário.
Imagina transar de tênis, pronto pra sair correndo.
Quem disse que a roupa é necessária?

Dormir de cabelo preso e acordar de cabelo solto. Tomar chuva sem correr.
Imagina encher a cara na segunda-feira, e tomar chuva sem medo.

Ligar o rádio sem dó, sem rótulos. Imagina gostar de música sem saber qual sua preferida.
Imagina amar e poder falar. Dar sem hora pra acordar (acabar).